Tenho em mim lembranças nostálgicas do tempo em que eu poderia ser considerada uma pessoa forte, que aguenta qualquer coisa, que suporta qualquer tempestade, que se mantém em pé diante de toda a dificuldade. Ainda lembro-me vagamente de quanta coisa suportei de cabeça erguida, quanta queda já sofri, quanta dor já senti, e apesar de tudo me re-ergui do chão. Quem me dera ser forte como costumava ser, quem me dera resistir à todo ferimento. Impressionante a forma como tudo se desgasta, tudo se corrói, tudo decompõe-se. É incrível o modo de como o tempo é capaz de nos derrubar, pouco à pouco. Digo, não necessariamente o tempo; Aliás, seria bom se somente o tempo passasse, e nada acontecesse. Mas infelizmente, ou felizmente, tudo acontece, tudo se transforma. Não sei ao certo o que mais pensar dessa ilustre espécie, chamada vida. Não consigo entender o por quê de absolutamente nada. Aliás, não consigo entender nada, sou um paradoxo confuso em forma humana. Não sou capaz ao menos de me colocar no lugar da minha “antiga eu”. Aquela que tudo aceitava, tudo suportava. Aquela que conseguia chorar e logo abrir um sorriso sincero. Aquela que suportava ver as pessoas chegando e saindo com frequência, sem ao menos se importar. Definitivamente, eu não me reconheço mais. Talvez, eu tenha me desgastado. Realmente, é isso o que acontece. A gente suporta, segura as pontas, vai empurrando com a barriga até chegar um ponto que não dá mais. E acredito eu, que o meu ponto chegastes. Não sou tão firme como antigamente. Eu me fragilizei à todo e qualquer tipo de dor. Minhas lágrimas insistem em escorrer pelo o meu rosto por qualquer motivo, mesmo que seja banal. E isso é novo para mim. Fortes ventos têm soprado ao meu desfavor, mas se uma tempestade me atingir, não garanto que conseguirei me manter em pé. Não sou mais aquela “garota duracel” cheia de energia e disposição. Eu me enfraqueci. Acho que não mais suportaria pessoas entrando e saindo da minha vida. Talvez, isso seja cansaço. Afinal, eu realmente cansei-me de ser maltratada, abandonada, judiada. Cansei de sofrer, mesmo que nem tanto eu tenha sofrido. Cansei de sentir medo, angustia, arrependimento, cansei de sentimentos ruins. Mas ainda assim, não sou capaz de me reconhecer. Estou leve como uma pena, que à qualquer sopro pode-se desmoronar. Mas não deveria ser assim, estou jovem, não poderia ser tão vulnerável. Deveria ser resistente, e não o contrário. Não entendo o por quê de tanta fragilidade. Não entendo, exatamente, o por quê de eu ter me tornado tão fraca decorrente ao tempo. Não queria que foste assim, deste jeito, mas que pena eu não mandar em meu estado emocional. ”Sinto-me como um velho dizendo sobre a sua passada juventude e a sua falta de cálcio nos ossos.” Definitivamente, preciso me recuperar. Só não sei como, mas não posso me deixar abalar assim, tão facilmente. Ainda tenho muito o que viver, não deveria estar tão desanimada, logo de principio. Preciso de um re-carregamento de energia. Muito embora, isso talvez, seja só carência. A falta de um ombro amigo, um abraço apertado, um colo macio. Não sei ao certo, só sei que não posso ser, assim, tão fraca. Espero que seja só uma fase. Espero que logo eu volte à ser como era antes: Forte, erguida e inabalável. Por quê do jeito que tá, não vou levar muito tempo para desabar. Mas não, eu não vou me permitir a queda. A vida me reserva algo muito melhor que esse cruel desfecho. Eu ainda tenho muito o que desfrutar, eu sei que tenho. Eu acredito nisso. E é como dizem: Quem acredita que pode, se torna capaz. E sim, eu sou capaz de ter a minha fortaleza novamente, basta eu querer. E vontade é o que não falta!— Lays Keller (in-decifrar)